Aposentada desce mantimentos por uma corda a fim de ajudar necessitados

Aposentada desce mantimentos por uma corda a fim de ajudar necessitados

Arinda Silva, de 76 anos, está isolada e por isso encontrou um meio inusitado para continuar ajudando apesar da pandemia

Por Leonardo Saimon
7 de abril de 2021

Arinda tem 76 anos e mora na Grande Vitória (Foto: Filipe Adrian)

Arinda Silva, de 76 anos, encontrou um meio inusitado de continuar exercendo a solidariedade mesmo confinada. A capixaba, nascida em Baixo Guandú (ES) e moradora da Grande Vitória, improvisou uma corda para arrecadar mantimentos e descer doações. A ideia nasceu da necessidade que a aposentada sente de auxiliar as pessoas que a procuram pedindo ajuda. Segundo Arinda, a busca por alimentos tem aumentado com a pandemia.

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A percepção de Arinda é assertiva e os números corroboram. A taxa média de desemprego em 2020 foi recorde em 20 estados do país, acompanhando a média nacional, que aumentou de 11,9% em 2019 para 13,5% no ano passado, a maior da série histórica da Pesquisa Nacional por Amostra Domiciliar (PNAD Contínua), iniciada em 2012.

“Por telefone as pessoas me ligam e dizem que têm doações. Outras entram em contato pedindo ajuda. Então uso esta corda improvisada para pegar ou para descer os mantimentos”, conta.

O trabalho de voluntariado realizado por Arinda não é recente. Por quase 20 anos, a aposentada trabalhou na Ação Solidária Adventista (ASA), um departamento da Igreja Adventista do Sétimo Dia (IASD) voltado a ajudar a comunidade com mantimentos.

Capixabas procuram dona Arinda para realizar doações (Foto: Filipe Adrian)

Pão nosso de cada dia

Além dos mantimentos, Arinda também encontra outro meio de ajudar. Ela prepara pães e costuma ir à varanda de casa observar se passa sob seus olhos alguém que aparenta está precisando.

“Eu grito aqui de cima ‘Ei, quer um pãozinho aí?’! Se a pessoa aceitar, eu desço o pão para pessoa”, conta.

E se alguém que não precisa recorre à Arinda pedindo seus famosos pães, ela pede em troca alimentos como açúcar, óleo, arroz ou feijão. Reserva o produto arrecadado para doar posteriormente.

“Eu gosto de ajudar para que quando eu não estiver mais aqui, outros continuem”, ressalta.

Vacinada

No dia 13 de março, Arinda tomou a primeira dose da vacina e aguarda com expectativa a segunda que deve sair a partir do dia 13 de abril. Mesmo assim, ela ainda se mantém resguardada no combate ao coronavírus, mas não da solidariedade.

“A motivação que sinto vem de Deus. Ele me faz enxergar a necessidade pelas quais as pessoas estão passando durante a pandemia. Então faço o que posso para continuar este trabalho”, finaliza.

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