Comunidades rurais e indígenas recebem doações durante a páscoa

Comunidades rurais e indígenas recebem doações durante a páscoa

Em Porto Seguro e região, ação solidária realizada durante o Mutirão da Páscoa, atendeu cerca de 72 famílias das comunidades indígenas e rurais.

Por Pollyana Trindade
6 de abril de 2021

Taiane Ferreira do Espírito Santo faz parte da tribo Etnia Pataxó, seu nome indígena é Thayamehy Pataxó que significa Raio de Sol Feliz. (Foto: Gabriela Carvalho)

Em aldeias e comunidades localizadas na região turística de Porto Seguro na Bahia conhecida como a Costa do Descobrimento, tribos indígenas e comunidades rurais foram duramente afetadas pela pandemia da Covid-19. Parte do artesanato local é feito pelas comunidades indígenas de Porto Seguro e Santa Cruz Cabrália, que remete pelo menos 14 tribos locais e cerca de 9000 índios, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Com a chegada da pandemia e as restrições de viagens, o turismo na região diminuiu, e o cenário que se viu foram famílias com o sustento comprometido.

A Igreja Adventista nesta região mobilizou uma ação de arrecadação de alimentos, como parte da campanha do Mutirão de Páscoa realizada anualmente, e neste ano contou com a parceria de instituições educacionais e humanitárias ligadas à igreja e teve o foco voltado para região sul e extremo sul da Bahia, com distribuição de cestas básicas para famílias economicamente vulneráveis. Através da campanha do Mutirão de Páscoa, cerca de 72 famílias foram beneficiadas nas aldeias Mirapé, Juerana, Nova Coroa, Novos Guerreiros, Agricultura, Arueira e Aldeia Velha.

 

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Segundo Gabriela Carvalho, que coordenou a ação de arrecadação e distribuição de cestas básicas para

Thayamehy Pataxó ajudou a entregar as cestas básicas nas comunidades indígenas. (Foto: Gabriela Carvalho)

famílias desta região, a realidade desse povo faz parte da estatística das famílias afetadas pelo desemprego na pandemia. “Durante a pandemia está difícil pra comunidade indígena trabalhar, pois muitos deles produzem e dependem da arte para o seu sustento, eles vivem do artesanato. Como é proibido a caça, então eles estão vivendo de ajuda, doações. Alguns são aposentados e tem mantido suas famílias com isso”, disse.

 

Gabriela, índia Thayamehy Pataxó e o índio Goyspã. (Foto: Gabriela Carvalho)

Gabriela conta que ao realizar a entrega das cestas o povo indígena agradeceu o gesto e a ajuda, “Foi muito importante para nosso povo Pataxó receber essa ajuda, agradecemos o trabalho que a igreja desenvolve conosco, estamos muito gratos”, disse o índio Goyspã que na tradução indígena significa companheiro.

A experiência de participar coordenando esta ação, motivou Gabriela a continuar fazendo mais por comunidades carentes, “Eu não tinha até o momento envolvimento algum em ações voltadas para as tribos indígenas, mas agora vejo a necessidade de contribuir ainda mais com esse povo. A igreja agiu no momento certo, poder ver nos olhos deles a alegria em forma de gratidão, não esquecerei de cada sorriso”, disse.

A liderança e os voluntários junto com a diretora Telma e a psicóloga Taine Albernaz do Centro de Referência de Assistência Social (CRAS) em Porto Seguro. (Foto: Norma Portugal)

Para o pastor Davi França, secretário executivo da Igreja Adventista do Sétimo Dia para os estados da Bahia e Sergipe, essa iniciativa faz parte de um trabalho que a igreja já desenvolve na região de Porto Seguro com as tribos indígenas, e veio para somar mais ainda no atual momento de crise. “Com a queda do turismo na região e o fato das tribos em sua maioria trabalharem com o artesanato, mostra que realmente estão passando por momentos muito difíceis. Então a igreja se uniu com o esforço dos irmãos, dos líderes, dos pastores e das instituições, para fazer chegar até essas tribos um pouquinho de alimento. Com isso a igreja está demonstrando que o evangelho não é apenas espiritual, ele tem a ver com o dia a dia das pessoas, tem que transformar a vida das pessoas. E nós vemos que uns estão sendo estão sendo transformados por ajudar, e outros serão transformados por receber ajuda. Ficamos felizes em poder participar de várias ações, inclusive essa e entendemos que a igreja está assim cumprindo o papel social de aliviar o sofrimento das pessoas”, reforçou o pastor Davi.

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