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Deficiente físico enxerga no esporte e na vida motivos para se superar

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No Dia do Deficiente Físico, capixaba compartilha trajetória de vida marcada pela coragem de viver além dos limites

Por Leonardo Saimon
11 de outubro de 2020

Rafael Neves, de 38 anos, pratica atividades físicas desde os 12 (Foto: Arquivo Pessoal)

O último censo brasileiro datado em 2010 revela que 24% dos brasileiros possuem algum tipo de deficiência física. Em números concretos, isso representa 46 milhões de pessoas que convivem com algum grau de dificuldade em alguns dos sentidos como enxergar, ouvir ou caminhar por exemplo. Em vista de um número tão expressivo, se comemora no dia 11 de outubro o Dia do Deficiente Físico.

Nesta data, se reforça o debate em prol de políticas públicas e da inclusão do deficiente no contexto social. E no meio desta população, que equivaleria a quantidade de moradores do estado de Sâo Paulo, é que Rafael Neves se encontra.

O capixaba, de família adventista, assistiu logo cedo os desafios de ter que conviver com cadeira de roda, entretanto, quanto maiores eram os desafios, maior ainda era sua coragem. Neves nasceu com uma má formação da medula, resultado de uma doença rara chamada de  mielomeningoncele que mais tarde lhe custaria limitações para locomover. Um defeito congênito da coluna espinhal que costuma acontecer durante a formação do bebê. Todavia, foi entre os 9 e 10 anos que Neves passou a usar cadeira de rodas. Até esta idade ele não saia de casa, ou quando precisava sair, era carregado.

“No primeiro dia em que sentei em uma cadeira de rodas foram só 11 tombos dos quais nunca irei esquecer deles”, brinca.

Não foram só dos tombos que ele se recorda bem; mas do aprendizado que veio junto. Ele logo cedo entendeu que apesar das limitações suas pernas ainda eram extensão de seu corpo. “Eu tive que me adaptar, tive que aprender, mas [a cadeira de roda] fez total diferença na minha vida”, completa.

Neves é apaixonado por esportes e atualmente pratica musculação e tiro ao alvo (Foto: Arquivo Pessoal)

A deficiência não foi sua única descoberta neste período. Neves encontrou no esporte sua paixão. Na escola, aos 12 anos, descobriu o basquete. Depois, a natação, e com o incentivo do professor da modalidade, migrou para uma dupla jornada de atividades físicas, desta vez, intercalando com a musculação – que pratica até hoje. Atualmente, o capixaba também se dedica ao tiro com arco.

“[O amor pelo esporte] Nasceu comigo mesmo. Tanto que ainda não fiz uma faculdade, mas um dia, se vier a fazer, será Educação Física”, revela Neves. Ele também compartilha sua paixão por avião, carro e moto. No final das contas, o improvável para Rafael Neves fascina. A mobilidade do esporte e a velocidade dos transportes.

O esporte, a vida e a superação 

“Não evito sair por conta da falta de acessibilidade, não! Se vou em algum lugar que não conheço, não sei se tem acessibilidade, descubro no local, tento dar um jeito e depois não volto mais. Se chego em algum lugar que não tem ou é difícil o acesso, tento resolver. Se não der, esquece!”, conta.

Neves sabe das limitações que encontra pelo meio do caminho. A infraestrutura da cidade e dos locais que frequenta, muitas vezes, não estão preparados para recebê-lo. Só que ele não se acua. Vai à igreja, ao mercado, frequenta os treinos, passeia com os amigos e leva sua cadelinha para passear também. Faz tudo o que qualquer um faz. Tenta levar a vida como dar. Mas sempre em movimento, nunca parado.

Não evito sair por conta da falta de acessibilidade.

Diz que se tiver que cair, prefere mesmo é se jogar. Porque quando ele se joga, sabe que cai tentando. E ele não tá falando apenas de suas quedas por conta da cadeira de roda. É uma metáfora de sua própria existência. O capixaba é resoluto ao dizer que não existe pretexto para se limitar a viver, por ser diferente. Na verdade, onde há limitações ele descobre aventuras.

“A vida de um deficiente, de um cadeirante é uma superação, uma adaptação diária e constante. Temos que nos superar a cada movimento. Eu costumo fazer de tudo para ser independente. As vezes me arrisco a fazer coisas que todos se arrepiam só de ver, mas penso o seguinte ‘se eu não tentar, não vou saber se irei ou não conseguir fazer. Não irei descobrir meu limite’”.

E é desse jeito que Neves caminha. Sob duas rodas de uma cadeira. Enxergando que a superação é o combustível que o move no esporte e a na vida.

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