Mulheres promovem corrente do bem entre a vizinhança durante a pandemia

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Ações englobam presentes nas portas dos lares, atendimento especial a público de risco, auxílio aos necessitados e ações de incentivo à higiene.

Por Andréia Kals
14 de abril de 2020

O cenário atual é de ruas menos movimentadas, escolas fechadas e comércio parcialmente interditado. Mas as paredes que protegem as famílias, não tem impedido a propagação de atitudes do bem. Em meio a esta nova realidade, diversas pessoas têm procurado incluir na sua nova rotina, ações que promovam o bem ao próximo.

Na região fluminense do Rio de Janeiro, diversas mulheres têm se tornado protagonistas de gestos de solidariedade e altruísmo promovidos entre a vizinhança. Cada atitude realizada, tem desencadeado uma série de outras ações solidárias. Apesar de serem profissionais, mães ou donas de casa, estas atividades têm recebido um espaço especial em suas agendas.

Surpresas nas portas de prédios e condomínios

Gilnara Barcelos, de Travessão, RJ, é uma destas mulheres.  Preocupada sobre como os vizinhos estavam encarando este período, a graduada em Petróleo e Gás, entregou 180 kits contendo um livro com mensagem de esperança, uma lembrança, e cartões.  “Senti Deus impressionando meu coração para fazer algo. Contei para meu esposo, meu desejo, e ele aceitou fazer o desafio comigo”, relata.

A atitude, apesar de parecer simples, causou um grande impacto estre os moradores. “A ideia era ir em cada lar do meu prédio, entregar os kits e ao mesmo tempo pedir alimentos para o projeto Mutirão de Páscoa. Por fim, todos nos receberam muito bem. Arrecadamos mais de 100kg de alimentos para serem entregues às pessoas carentes”, explica.

Assim como Gilnara, Aníbia Mattos, de Campos dos Goytacazes, também resolveu presentear a vizinhança e levar palavras de carinho.  “Ei vi minhas amigas fazendo diversas iniciativas e resolvi entrar nesta também. Preparei kits que incluíam granola natural que eu mesma preparei e deixei em cada porta ”, conta.

Logo, suas vizinhas começaram a ligar, interfonar e mandar mensagens de agradecimento. O que ela não imaginava, é que isso seria o passo inicial para outras boas ações. “Os resultados foram instantâneos. Muitas estão com sede da Palavra de Deus e angustiadas em meio à crise do Coronavírus. Uma delas veio presencialmente me agradecer e trouxe de presente máscaras que ela mesma confeccionou. É uma ação que vai puxando a outra. Estou emocionada e sentindo um despertamento para alcançar todos os que estão mais próximos, nossos vizinhos em prédios e condomínios”, cita.

Bruna da Silva, de Nova Friburgo, também fez um projeto de oração intercessora em seu prédio e sentiu-se recompensada. “As pessoas estão sedentas por palavras de amor e de conforto. Saio desta ação mais reavivada por Deus”, relata.

Auxílio aos idosos e população carente

Se dentro dos condomínios as atitudes de amor e carinho já têm sido apreciadas, nas localidades carentes, ainda mais. A diarista Geovânia de Jesus, de Macaé, já tem por hábito dar assistência social e manter amizade com a vizinhança junto com o grupo adventista de Novo Horizonte. Neste período de pandemia, porém, seus esforços têm sido dobrados.  Via grupo de WhatsApp, ela dá assistência há 34 famílias da comunidade, onde intercede pelos pedidos, descobre as necessidades, e marca ações pontuais.

No último domingo, por exemplo, a preocupação foi prover a reforma do banheiro de uma casa onde residia uma mulher viúva com seus três filhos. “Era uma situação bem complicada, eles tomavam banho com tonel de água e o teto do banheiro estava aberto, quando chovia entrava água para dentro de casa e o medo era que a peça desabasse. Não proporcionava opções de higiene e saúde para as crianças. Conseguimos então a doação dos materiais e minha família mais uns voluntários , conseguimos terminar. Deixamos um banheiro em perfeito estado para utilização da família”, conta.

Através da prefeitura da cidade, Geovânia conseguiu os nomes de famílias que precisam de sextas básicas, e junto a sua família, tem feito a arrecadação e entrega de donativos. “É uma paixão que tenho, meu coração chega a ferver. Quem me conhece sabe, me preocupo com as pessoas e gosto de me envolver em projetos e campanhas. É uma bênção! O que me motiva é pensar que além de ajudar nas suas necessidades, posso apresentar Jesus”, declara.

Luciene Miranda, de Arraial do Cabo, também tem desenvolvido ações similares. Ela mora em um condomínio com 12 casas, e desde o início da pandemia, tem dado uma atenção especial aos idosos e àqueles que tem se sentido mais deprimidos. “De casa, intercedo por cada um e faço pequenos favores para o grupo de risco. Também tenho feito refeições naturais, e oferecido pães integrais e chás, para aumentar a imunidade do corpo”, conta.

Sua atenção, porém, não tem se estendido apenas aos vizinhos próximos, mas também, à população de rua. Preocupada com as possibilidades de proteção e higienização disponíveis a este grupo, Luciene resolveu distribuir sabonetes, sabão em barra, e outros itens de higiene pessoal. “ Deus tem trabalhado, e o melhor testemunho é a nossa atitude para com o próximo”, acrescenta.

Uma corrente que não termina

Raquel Souza, coordenadora das mulheres adventistas na região fluminense do Rio de Janeiro, foi quem promoveu o projeto “Entre Vizinhas”, entre grupo. Apesar de o projeto não ter sido criado para a ocasião,  ela acredita tudo fez parte de uma providência maior.  “Desde dezembro  eu as orientei e tínhamos expectativas sobre o que iria acontecer. Quando veio o corona vírus, porém, eu fiquei um pouco preocupada. Mas aí estas atividades de oração e o evangelismo da amizade começaram a criar uma força maior, e estes projetos tem sido muito bem aceitos. O que eu vejo é que os planos de Deus são certeiros. Não que Ele compactue com o mal, mas  Ele pode transformar aquilo que parecia um empecilho, em oportunidade. Quando uma pessoa se coloca nas mãos de Deus, não há barreiras para a sua influência”, explica.

Apesar das atividades serem diferentes e criativas, Raquel explica que todas as ações, se fundem num objetivo comum. “O objetivo principal é salvar, apresentar a Jesus. Mas antes , antedemos as suas necessidades, como Ele fazia. Quando se cria este vinculo afetivo, a gente vai plantando sementes do bem, sementes do amor. Talvez, você pode plantar uma sementinha que não brote agora, e outra pessoa venha a colher. Mas uma coisa é certa, jamais esquecerão o bem que foi feito.  Se quebra muitos preconceitos , e essa troca, esse vínculo de amizade, abre portas para o evangelho. Esta é uma obra que todas nos podemos nos empenhar. precisamos ter um olhar para aqueles que estão a nossa volta. é uma responsabilidade de todos nós. não podemos perder oportunidades.os resultados dessas ações não tem medir, lá no céu descobriremos o poder de nossa influência.

Enquanto isso, as novas ações vão se desencadeando. Entre as próprias amigas que compartilham as benfeitorias, como entre aos que são beneficiados e resolvem levar atitudes positivas adiante. Aníbia, pretende continuar levando granola e promover outras ações de bem para as suas vizinhas.  “Mesmo quando passar a pandemia, a gente deve continuar fazendo amizades. Eu quero dar continuidade a isto. Agora, vou reuni-las via zoom, depois, quando for possível, vou fazer um chá especial para todas elas”, conta empolgada.

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