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“Onda do bem” reforça a conscientização do setembro amarelo no combate ao suicídio

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Adolescentes foram desafiados a realizar ações de prevenções e criar oportunidades para ajudar pessoas que precisam de apoio emocional

Por Pollyana Trindade
18 de setembro de 2020

#EuMeImportoComVC – Campanha da Base Life Teen (Foto: Reprodução)

Você sabia que a simbologia da cor amarela representa felicidade? A cor escolhida para representar o mês de combate ao suicídio quer trazer exatamente a mensagem de que é possível superar a depressão. Ainda que o suicídio entre adolescentes e jovens seja uma problemática cada vez mais presente, é importante ressaltar a atenção à saúde mental para conter essa prática. Inspirados nessa mensagem, adolescentes de toda Bahia e Sergipe estão engajados no mês da campanha de prevenção no combate ao suicídio, conhecido como setembro amarelo. O desafio lançado através da Base Life Teen (comunidades de adolescentes que se reúnem semanalmente) foi pensado para motivar e ajudar pessoas que precisam de apoio emocional.

 

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Eliane Lopes coordena os adolescentes das Bases Life Teen em toda Bahia e Sergipe

Definido como “Onda do Bem” a ideia principal é mostrar a outras pessoas o valor que cada uma tem e que foi dado por Jesus Cristo. A líder dos adolescentes para os dois estados, Eliane Lopes, promoveu o desafio através da rede social oficial da  Base Life Teen, e incentivou todos a realizar ao menos três ações do bem, “O mês de setembro é conhecido como mês de maior campanha sobre autoestima, doenças mentais e suicídio, por isso nesse mês desafiamos os adolescentes a dedicarem um tempo para refletirem como estamos gastando tempo ressaltando os defeitos e erros das pessoas que conhecemos, e transformarem esse tempo em uma oportunidade para ressaltar as qualidades e acertos”, disse.

 

Eliane ressaltou ainda que esse desafio foi dado a todos os membros das bases, desde os professores, diretores até os alunos. A campanha está movimentando as redes sociais homenageando pessoas, através de mensagens no WhatsApp e publicações no Instagram, reforçando a mensagem que todos são especiais para Deus.

Em um dos vídeos publicados nas redes sociais, os jovens reforçam a ideia de que “depressão não é sinônimo de falta de Deus” e orientam pessoas que se sentem sozinhas a buscarem ajuda por meio de chats, mensagens de vídeo e através de ligação gratuita pelo número 188. Em outro vídeo, um jovem declama em forma de poesia a importância da vida. Essas e outras ações podem ser acompanhadas através da hashtag #EuMeImportoComVC

 

Ansiedade, depressão e suicídio

Uma pesquisa realizada pelo Datafolha apontou aumento de ansiedade e tristeza em jovens na pandemia. Confira abaixo os dados dessa pesquisa:

“A falta de motivação, que em maio atingia 46%, chegou a 51% em julho. Os que enfrentam dificuldades para manter a rotina saltaram de 58% para 67%. O percentual dos que estão tristes começou a ser medido em junho, quando chegou a 36%, e passou para 41% em julho. No mesmo período, o de irritados foi de 45% para 48%. Somam 74% os que se sentem tristes, ansiosos ou irritados”.

A pesquisa revela ainda que os jovens, além das frustrações, estão com os hormônios à flor da pele, que crianças que antes não tinham nada acabaram desenvolvendo problemas na pandemia… E há aquelas que já enfrentavam dificuldades e pioraram diante de tanta instabilidade”, diz a psiquiatra Lee Fu I, coordenadora do Ambulatório de Transtornos do Humor na Infância e Adolescência do Hospital das Clínicas. (fonte: sinesp.org)

 

Segundo a Organização Mundial de Saúde, OMS (2016), o suicídio é a segunda principal causa de morte entre jovens, sendo 75% dos casos ocorridos em países de média e baixa renda. Também de acordo com o mapa da violência por Waiselfisz (2014), no Brasil a taxa de mortalidade por suicídio fica atrás dos índices de homicídios e acidentes de trânsito. Para a psicóloga Emelliny Sandes, esses “são dados alarmantes, visto que se refere a fases de desenvolvimento que são consideradas popularmente como o “auge da vida”, disse.

Ela ressalta ainda que é importante identificar, desde o início, o problema psicológico, “isso se torna fundamental para o auxílio do adolescente. O apoio familiar, a atenção, e abertura ao diálogo, facilitam o conhecimento sobre as situações que estão envolvendo o jovem ou adolescente, e desta forma o tratamento profissional terá direcionamentos que favoreçam a prevenção de situações mais agravantes”, comentou. A relação familiar, o cuidado e afeto ajudam aos pais a identificar e estar atento a fatores que podem estar levando os adolescentes a um estado de saúde mental desgastante, por isso é fundamental a base familiar estar atenta. Para Emelliny, outro fator importante é “a abertura ao diálogo, o incentivo à prática de exercícios físicos, ao consumo de bons alimentos, o cuidado com a qualidade do sono e o incentivo à formação de boas amizades e vínculos sociais, são contribuições válidas para os adolescentes”, afirmou.

 

3 dicas para ajudar os adolescentes

Ainda no contexto de ajuda profissional, a terapeuta e doutora em psicologia, Evellin Duarte Rius, enumerou alguns fatos que devem ser observados, no contexto de ajudar os adolescentes:

  1. O suicídio conta uma história, está diretamente relacionado as vivências e significados construídos ao longo da vida. O adolescente que tenta suicídio não quer acabar com a vida, ele quer acabar com a dor, com o sofrimento que no momento é insuportável e para ele sem saída;
  2. Ter uma rede de apoio formada por amigos, familiares, professores, igreja e comunidade empática e atenta ao funcionamento desse adolescente/jovem facilita uma identificação de risco precoce. 80% dos casos são avisados, por isso esteja atento, não considere normal ou brincadeira. Ouça sem julgar e acolha, todas as ameaças devem ser encaradas com seriedade. O tratamento especializado é indispensável;
  3. Uma vivência saudável da espiritualidade também contribui para o processo de regulação da saúde mental. Sentir-se seguro, acolhido, amado, aceito, compreendido, ter um olhar de esperança são necessidades frequentes em situações de crise. Sentir tudo isso através de uma espiritualidade saudável, de uma relação familiar segura é importante tanto na prevenção como no tratamento.

Para Evellin, outro ponto em que se deve estar atento é o constante uso das redes sociais, “Adolescentes que são viciados em redes sociais tem três vezes mais chances de desenvolver depressão comparado as pessoas que passam menos tempo conectadas. Além da quantidade do consumo precisamos considerar a natureza desse consumo. O uso das redes sociais associado a cyberbullying, isolamento social, desconexão com a realidade, exposição excessiva da intimidade, expectativas não realistas, procrastinação são altamente prejudiciais e arriscados. Busque ajuda!”, afirmou.

 

Se você precisa de ajuda nesse sentido, pode contar com o Projeto Ouvido Amigo da Igreja Adventista, um projeto que tem a ideia de oferecer atendimento psicológico online gratuito com profissionais voluntários.

https://sdahymnal.net/

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